Eleições municipais de 2020 e a necessidade de uma concertação estratégica nacional

 

A pandemia da covid-19 expôs de maneira muito nítida os diversos problemas de ordem socioeconômica no Brasil. É evidente que todas as dificuldades hoje vistas com tanta clareza- tais quais a insuficiência de leitos hospitalares, ausência de saneamento básico, baixa capacitação de recursos de humanos, falta de capacidade industrial produtiva, dentre outro- já estavam presentes no país antes da chegada da doença ao território. O que o coronavírus fez foi abaixar demais a maré na qual o país tomava banho e, a partir daí, veio à tona o fato de que o Brasil estava completamente nu, isto é, não dispunha da menor capacidade de atender às necessidades sociais e econômicas de uma pátria de 212 milhões de habitantes.

Diante dessa situação, na qual as fragilidades brasileiras (algumas delas acima relatadas) foram elevadas ao grau máximo de exposição, não há outra solução que uma ação política conjunta direcionada à resolução das agruras que colocam em xeque a capacidade de desenvolvimento nacional. Isso implica dizer que os entraves econômicos e sociais não serão superados sem que haja uma concertação nacional entre prefeitos, governadores e presidente da República, a qual vise à definição de um caminho estratégico para o país nas mais diversas áreas, a saber economia, emprego, saúde, educação, produção industrial, saneamento básico, etc. Essa medida é urgente, tendo em vista que, em razão da interdependência que caracteriza o mundo atual, a nação brasileira não pode ficar vulnerável aos problemas que essa interdependência ocasiona, como demonstrou a crise do coronavírus em relação à produção nacional de equipamentos cruciais no combate à doença (máscaras, respiradores, aventais, óculos de proteção).

É essencial que cada ente federado (municípios, estados e união) tenha seu papel bem delimitado dentro dessa concertação nacional. Ressalta-se que a União, por meio da orientação conferida pelo presidente da República, deve ser a líder de todo esse processo, uma vez que as decisões tomadas em âmbito nacional (principalmente no que se referem à economia e aos impostos) refletem a situação de prosperidade ou pobreza dos municípios brasileiros.

Deve-se levar em conta que a superação das questões anteriormente apresentadas somente será possível caso as forças políticas do país, nos âmbitos municipal, estadual e federal, pautem o discurso e a ação política com vistas a superar as fragilidades que afligem o país. Nesse sentido, as eleições municipais de 2020 oferecerão um bom olhar sobre a necessidade de que o país adote um projeto estratégico para si, pois, na esfera municipal, será um bom demonstrativo de como as forças políticas estão dispostas, tanto no discurso de campanha quanto no exercício do cargo, a promover esforços para superar os principais problemas que atingem os munícipios brasileiros, a saber a ausência de estrutura de saúde (mesmo em tempos de normalidade), infraestrutura urbana e saneamento básico (como demonstram as milhares de famílias que sequer podem lavar suas mãos pois não tem acesso à agua).

Diante desse cenário, caberá, pois, ao eleitor, escolher aquele indivíduo cujo histórico de ação social se mostre orientado para a superação dos principais problemas que afligem as populações dos municípios com maior fragilidade social.

*Por Caio Rafael Corrêa Braga
(Graduando em Relações Internacionais pela UFSC. Pesquisador nas áreas de Segurança e Defesa e Ciência e Tecnologia)

 
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Categoria: Política

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