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Pandemia faz jogador codoense perder contratos e não conseguir voltar à Tailândia

Rodrigo Quintanilha em ação pelo Lampang

Rodrigo Quintanilha era um daqueles jogadores de futebol que fazem o Brasil ser reconhecido como celeiro de atletas em países alternativos. Natural de Codó Maranhão, ele embarcou em 2016 para a Ásia e fez carreira por lá. Seu último clube foi o Lampang FC, da Tailândia. A ideia era fazer um bom campeonato e receber propostas melhores ao final de seu contrato de 6 meses. Só que, aí, a pandemia apareceu.

Em entrevista ao UOL Esporte, o atacante contou que a volta para a Ásia virou um problema. Ele veio ao país assim que o campeonato local foi interrompido. Agora, porém, não tem permissão para viajar para a Tailândia. Rodrigo tem recebido sondagens de clubes, mas eles já avisaram que não farão propostas enquanto ele seguir sem previsão de retorno. Atualmente, o Brasil é o segundo no ranking mundial de novas mortes por covid e muitos países estão restringindo a entrada de brasileiros — a Tailândia adotou, em julho, um relaxamento nas normas de entradas, mas brasileiros seguem vetados a não ser que tenham algum vínculo com o país.

Não é a primeira vez que Rodrigo teve problemas na pandemia. Quando houve a paralisação do futebol, ele tentou retornar ao Brasil imediatamente. Não conseguiu. A Tailândia adotou não apenas restrição de entrada e saída nas fronteiras, mas limitou o fluxo entre as regiões do país. Com isso, teve pouco mais de 3 mil casos de infectados e apenas 58 mortes durante a pandemia, números inferiores em relação ao resto do mundo.

Rodrigo Quintanilha em ação pelo Bucheon

Enquanto o futebol brasileiro, segundo do mundo, voltou há semanas por aqui, por lá o esporte só será retomado em setembro.

Três países, seis clubes

Aos 27 anos, Rodrigo já passou por três países e seis clubes no futebol asiático. Ele jogou por Port FC, Sukhothai, Nongbua Pitchaya e Lampang FC na Tailândia, Zweigen Kanazawa no Japão e Bucheon na Coreia do Sul. O maranhense é ex-jogador do Bragantino, com passagens por Atlético-GO, União Barbarense e São Bernardo. O atacante tem mantido a forma física no Estádio Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul. Confira a entrevista:

A diferença da Tailândia em relação ao Brasil no tratamento da pandemia foi muito grande? É questão de governo e cultura?

Tem muito a ver com a cultura. Aqui no Brasil, infelizmente, muitas pessoas não têm consciência e não tem noção das consequências. A pessoa é inconsequente, vai para rua, contrai o vírus. Mas não é ela que vai se dar mal. São os familiares de mais risco. Quando a pandemia na Tailândia cresceu, o país se fechou. O país tem muito estrangeiro, um pais turístico que precisa do turismo para sobreviver, mas quando descobriram os casos de Covid, fecharam a fronteira e também as fronteiras das cidades, de um município para o outro. Tiveram um controle muito bom, não chegou a cinco mil casos no país todo. Aqui no Brasil deveria ter acontecido o mesmo quando ocorreu o primeiro caso no carnaval, mas o Brasil continuou com as fronteiras abertas vindo outras pessoas contaminadas e espalhando o vírus.

Como você vê a volta do futebol aqui no Brasil?

Eu não vejo a volta como negativa desde que haja um respeito e uma consciência do povo brasileiro. A pandemia no Brasil tomou essa proporção por conta da consciência. As coisas acontecendo e as pessoas fazendo tumulto. Conversei com alguns amigos do Japão e o futebol parou por conta de logística e movimentação. Na Tailândia, parou porque os clubes não queriam seguir o futebol sem torcida. E aqui no Brasil parou por questão de segurança mesmo, porque os jogadores e as pessoas estavam sendo contaminadas. Se houvesse um respeito maior, poderia ter voltado até antes.

Agora, acredito que as coisas precisam voltar ao normal. Esse vírus vai ficar no nosso meio durante um tempo e teremos que aprender a viver com essa situação, como já foi com outros vírus que apareceram e soubemos viver.

O que você acha do crescimento do futebol asiático?

O futebol asiático ganhou muito espaço no cenário mundial em 2002, quando a Coreia e o Japão sediaram a Copa do Mundo. Nesse ano, aconteceria a Olimpíada de Tóquio e em 2022, a Copa do Mundo será na Ásia. Você pode perceber que é retrato de um crescimento. Acompanhando as ligas asiáticas, vemos contratações de grandes jogadores. E os jogadores asiáticos também estão migrando para Europa. Eu vejo um crescimento gigantesco, maior no Japão, na China e na Coreia, mas os outros países também estão nesse processo de crescimento.

Qual a diferença no futebol entre os países da Ásia?

Existe uma diferença entre o japonês. Ele desgarrou dos outros, tem uma maturidade, um profissionalismo, uma qualidade do jogador local muito maior do que em outros lugares. A Coreia se aproxima um pouco mais, mas ainda há diferença. Na Tailândia, os jogadores tem uma qualidade muito boa, mas falta falta profissionalização. Acredito que desde a época em que cheguei à Tailândia, já mudou bastante. E tende a melhorar.

Financeiramente, a diferença entre os países da Ásia é grande. A primeira divisão do Japão é melhor do que a primeira divisão da Coreia e da Tailândia. Mas a segunda divisão da Coreia e da Tailândia é melhor do que as outras.

Como foi sua adaptação fora do país pela primeira vez?

Foi muito complicado com o idioma, foi a parte mais difícil. Se o técnico falava algo, eu não entendia. Se passavam alguma informação, não entendia. Tive sorte porque tinham outros brasileiros que estavam acostumados a viver fora do país. Eles falam inglês, alguns espanhol e conseguiam me ajudar muito com a tradução. Fui aprendendo inglês e isso foi melhorando. Não tive dificuldade com cultura e nem com alimentação.

O futebol tailandês é um pouco mais de correria e de entender como eles jogam, como gostam que você jogue, isso é importante. O Brasil é um futebol mais técnico e a força é maior. Desde o princípio tive uma boa adaptação, acontece de ter dificuldade no decorrer da temporada, mas me adaptei bem no começo e consegui cumprir o meu trabalho.

Quais são seus planos para o futuro?

No momento, vou tentar resolver a situação em outro país. Se não der certo de voltar para a Tailândia, vou buscar no Brasil até isso acalmar. Então, retorno à Ásia. Quero continuar jogando no futebol asiático, sem prazo de validade. Quero voltar ao Brasil depois dos 30 anos, para viver perto da minha família.

Fonte:UOL Esporte

 
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Categoria: Esportes

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